sábado, 23 de janeiro de 2010

Prazer em ler

Simplesmente porque eu não resisto aos fascínios de livros inteligentes. Livros que cativam, que nos acompanham em muitas jornadas, que como uma música marcam um momento de nossas vidas. Faz algum tempo que não leio um desses best-seller que estão em foco na mídia, muitos desses livros populares são interessantes, mas tenho uma lista enorme de livros que ainda preciso ler, e apenas para deixar claro, não tenho nenhuma aversão a essa categoria que é considerada a "literatura de massa". Às vezes passo uma manhã inteira numa livraria para escolher aquela leitura que me proporcione uma viajem em terras ainda desconhecidas, não é uma escolha nada fácil, porque dá vontade de levar todos pra casa, mas ocorre vez por outra aquele encanto com um livro em particular, então é irresistível, a companhia torna-se mais que atraente, ela me envolve em seus braços, meus olhos brilham. Na última semana, escolhi três livros para me acompanhar neste período de carnaval e mais um fascículo. São leituras enriquecedoras, eu recomendo.


O CASTELO NA FLORESTA. Norman Mailer
(Editora Companhia Das Letras)

O autor, mestre do New Jornalism ou Jornalismo literário, nos oferece uma escrita primorosa sobre a infância de Hitler, criador do nazismo. É uma aventura que se revela na investigação excitante dos fatos que venham a elucidar as causas de sua crueldade. É sinistro e nos faz refletir sobre a constituição da personalidade diabólica daquele que vem a se tornar o maior exterminador da raça humana. Logo na capa do livro há um choque, a figura personificada do mal ainda criança, sem o famoso bigode, com o carimbo da suástica em seu retrato. É um livro que nos faz prender a respiração, o qual mantém atenta a indignação de lutar para que nunca mais a história se repita. Mailer é um escritor norte-americano, ganhou duas vezes o Prêmio Pulitzer e uma vez o National Book Award.


EUCLIDIANA. Ensaios sobre Euclides da Cunha. Walnice Nogueira Galvão
(Editora Companhia Das Letras)

Textos magníficos sobre a vida, carreira e composição literária de um dos maiores escritores brasileiros. Um convite a um discurso eloquente e a uma retórica impecável, traços que revelam uma identidade pouco conhecida e explorada sobre Euclides. A autora nos brinda com um extraordinário entendimento sobre a obra genial do escritor, sociólogo, militar, engenheiro e jornalista. O livro é o que podemos chamar de uma "vereda preciosa", sem exageros. Galvão publicou trinta livros, entre eles Mínima Mímica: Ensaios sobre Guimarães Rosa e mais doze livros sobre Euclides da Cunha e a Guerra de Canudos.


MÁRIO QUINTANA. Nova Antologia Poética.
(Editora Globo)

Amor à primeira vista. Um encantamento que transcende gerações. Quintana é essencial e necessário. Um presente para saborear a doçura da vida de olhos abertos. O humor e o lirismo é a arte deste poeta que constrói e desconstrói versos com naturalidade e leveza. Bilhete é um poema que me embala com carinho, o trecho "...a vida é breve e o amor mais breve ainda" simboliza essa expectativa em não perder tempo, em viver logo a vida e não deixá-la para depois. Pois que fiquem surdos os passarinhos. Amado, eu também já não me importo que me quebrem os telhados, se há querer e se há amor que seja sem mais devagarinho. O livro é mesmo um deleite.


CELSO FURTADO. Coleções Caros Amigos. Fascículo 4.
(Editora Casa Amarela)

Porque não só de versos vive o homem. Apesar de não ser um poeta, Celso Furtado é uma inspiração. É o economista brasileiro mais lido no mundo. Graduado em direito na década de 40 (não havia cursos de economia no período), trabalhou como jornalista no Correio da Manhã antes de ser aprovado em concurso público. Apesar de resumido, o fascículo descreve com qualidade a trajetória deste pensador social. Vale à pena conferir.

E por enquanto, neste período antes de começarem as aulas na Faculdade de Economia, preciso muito estudar matemática econômica, isso para não falar sobre as monstruosas leituras obrigatórias. Neste pouco tempo de curso uma das coisas que aprendi: não são os números que determinam o problema econômico, mas o problema econômico e social que determinam os números. Isso para não dizer que não falei de flores. Sem mais trocadilhos.

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