Fichar, resenhar, escrever, pensar, propor, expor. Respirar um deserto de letras sem fim, viver ideias, esquecer de comer na hora certa, acreditar num ceticismo de versos, ritmar uma disciplina pontual e ao mesmo tempo divertir-se com isso. Estar onde se quer e como se quer.
Reconhecer discursos, identificar uma clara diferença entre quem leu Kissinger e quem apenas leu um resumo. Conviver com pessoas vaidosas do saber, e com gente que sabe bem mais e que tem simplicidade. Construir novas e sólidas amizades. Manter ou tentar manter um equilíbrio entre o tempo e a espera.
E estar nesse momento distante, em outro lugar, descobrir que resisto a cada dia a distância e que tem momentos que são passageiros, mas necessários. Decidir que quando passar tudo isso, será a hora de voltar e falar que não há mais tempo a se perder, e que esse amor que eu guardo com tanto zelo e carinho não vê a hora de não ser mais platônico. Porque não haverá espaço para nenhum um outro. E que por trás desse romantismo tão puro existe uma realidade possível que não deve ser perdida.

Nenhum comentário:
Postar um comentário