Guerra
Os aviões abatidos
são cruzes caindo do céu.
Mário Quintana
Puxaram
os gatilhos. Os filhos desta cidade, Belém, alvos de tiros secos, são cruzes
tombando no chão. Cobertos por lençóis manchados de sangue, por lágrimas e por
medo, murmuram silenciosamente à população, até quando nossas famílias chorarão
em busca de exterminar a impunidade?
A
decisão das armas e o furor dos executores anônimos – bellatrix irancudia – arrebataram todo um povo. Bandeiras não
tremulam mais, o vento não sopra, e nem poderia, foi calado na fonte da vida. Soldados,
justiceiros, juízes? Não. Fratricidas, covardes, Napoleões? Numerosos
adjetivos, nenhum deles na qualidade de Deus.
O
ser e o tempo, o ser e o nada, o ser social, o ser criação da natureza, o ser
irmão, o ser cidadão. Cidadania, eu quase nem sei mais o que é isso, esse conceito
ficou perdido no meio daquelas balas nada perdidas, precisamente certeiras. O ‘‘novo
cidadão’’ não cabe aqui.
Aqui cabem os soluços, os calmantes, a dor, as orações
sinceras, o amor fraternal, e principalmente a Paz sem as armas, a paz sem a
força, e quem sabe substituir as armas pelas flores, que belo seria a paz com flores, a
paz pela paz – e o uso da imaginação para realizar esse sonho e materializar
esse sentimento. Não quero vinganças, quero um cessar- fogo, de ambos os lados, de todos os lados.
Quero poder andar pelas ruas sem me assustar com o barulho de uma moto, ou com a moda de homens usando capuz. Quero ir e vir. Mais que isso, quero que todos tenham o direito a ter da vida mais que um sopro, mais que uma moeda de troca. Quero vivificar esperança. E quero muito acreditar que não estou
querendo demais. Tributos de paz e de flores cabem aqui.
Helanny
Torres Ferreira
05 de
novembro de 2014
Mais
em:

Nenhum comentário:
Postar um comentário