quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Paz bélica, bélica paz



Guerra
Os aviões abatidos
são cruzes caindo do céu.
Mário Quintana


Puxaram os gatilhos. Os filhos desta cidade, Belém, alvos de tiros secos, são cruzes tombando no chão. Cobertos por lençóis manchados de sangue, por lágrimas e por medo, murmuram silenciosamente à população, até quando nossas famílias chorarão em busca de exterminar a impunidade?
A decisão das armas e o furor dos executores anônimos – bellatrix irancudia – arrebataram todo um povo. Bandeiras não tremulam mais, o vento não sopra, e nem poderia, foi calado na fonte da vida. Soldados, justiceiros, juízes? Não. Fratricidas, covardes, Napoleões? Numerosos adjetivos, nenhum deles na qualidade de Deus.
O ser e o tempo, o ser e o nada, o ser social, o ser criação da natureza, o ser irmão, o ser cidadão. Cidadania, eu quase nem sei mais o que é isso, esse conceito ficou perdido no meio daquelas balas nada perdidas, precisamente certeiras. O ‘‘novo cidadão’’ não cabe aqui. 
Aqui cabem os soluços, os calmantes, a dor, as orações sinceras, o amor fraternal, e principalmente a Paz sem as armas, a paz sem a força, e quem sabe substituir as armas pelas flores, que belo seria a paz com flores, a paz pela paz – e o uso da imaginação para realizar esse sonho e materializar esse sentimento. Não quero vinganças, quero um cessar- fogo, de ambos os lados, de todos os lados.
Quero poder andar pelas ruas sem me assustar com o barulho de uma moto, ou com a moda de homens usando capuz. Quero ir e vir. Mais que isso, quero que todos tenham o direito a ter da vida mais que um sopro, mais que uma moeda de troca. Quero vivificar esperança. E quero muito acreditar que não estou querendo demais. Tributos de paz e de flores cabem aqui.

 

Helanny Torres Ferreira
05 de novembro de 2014

 

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