João Cabral de Melo Neto é o principal representante da geração de 1945. A principal característica nos textos desse poeta é o debate entre o ser humano e ele mesmo. A ausência de algo que completa o ser humano é corporificado por meio de substantivos que marcam seus textos poéticos.
Dessa forma, a poesia serve para completar essa angústia, ou até mesmo para enfrentá-la. O ''poeta cerebral'' diferencia-se daqueles das geração anteriores, porque, em seus textos, somente, há espaço para o essencial, sua reflexão estética consiste em despertar no leitor o pensamento crítico. A denúncia social é feita por intermédio da riqueza que falta ao Brasil, e não pela descrição da pobreza, aspecto dos modernistas de 1922 e da geração de 1930.
Helanny Torres
Retrato à sua maneira
(Poema de Vinícius de Moraes para João Cabral de Melo Neto)
Magro entre pedras
Calcárias possível
Pergaminho para
A anotação gráfica
O grafito Grave
Nariz poema o
Fêmur fraterno
Radiografável a
Olho nu Árido
Como o deserto
E além Tu
Irmão totem aedo
Exato e provável
No friso do tempo
Adiante Ave
Camarada diamante!
*Resposta a Vinícius de Moraes
Camarada diamante!
(João Cabral de Melo Neto)
Não sou um diamante nato
nem consegui cristalizá-lo:
se ele te surge no que faço
será um diamante opaco
de quem por incapaz do vago
quer de toda forma evitá-lo,
senão com o melhor, o claro,
do diamante, com o impacto:
com a pedra, a aresta, com o aço
do diamante industrial, barato,
que incapaz de ser cristal raro
vale pelo que tem de cacto.


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