Vai encarar?
A notícia internacional influencia a opinião que os povos têm uns dos outros. No âmbito da comunicação mundial, os fatos de maior visibilidade midiática são, em geral, crises políticas, econômicas, conflitos civis e guerras. Nesse contexto, a repercussão da violência no Rio de Janeiro adquiriu proporção mundial. Dessa forma, há interferência nas relações internacionais do Brasil, uma vez que ocorre deliberação nas instituições de outros países, conforme os fluxos internacionais de informação. As causas oriundas do fenômeno da violência demonstram a crise das instituições políticas diante de novas ameaças, o tráfico de drogas e as organizações criminosas internacionais; essa situação está relacionada com os fatores socioeconômicos do país, e, consequentemente, há desdobramentos internacionais para o Brasil.
As manchetes jornalísticas sobre a violência no Rio de Janeiro e, particularmente, sobre a ocupação do Complexo do Alemão foram destaque na imprensa internacional. Nesse contexto, o drama urbano carioca revela fatores socioeconômicos, como a miséria, o desemprego e a desigualdade social. Desse modo, redes internacionais de organizações criminosas criam relações com movimentos domésticos organizados, ilegais, que se aproveitam da fragilidade institucional dos países nos quais atuam e dos altos índices de pobreza. O símbolo dessas novas ameaças, no território brasileiro, é representado pelo tráfico internacional de drogas, os quais configuram entraves para a política interna e externa do país.
O Estado brasileiro detém o poder coercitivo na produção da ordem, o qual é mensurável e previsível. Esse poder provém da aceitação social legítima de o Estado prover segurança pública à população. A violência se apropria de poder, para difundir o medo e para demarcar o seu território, o qual ameaça a soberania do país; esse poder é ilegal, incomensurável e imprevisível. Nesse contexto, a repercussão da violência, no sudeste brasileiro, concede visibilidade e publicidade à crise institucional que o Brasil enfrenta na atualidade. A segurança e a defesa são temas prioritários na agenda internacional, e a mídia opera como fórum para esse debate, países que não conseguiram assegurar esses direitos para seu povo são caracterizados como frágeis.
A fragilidade institucional de um país limita-o a operar acordos internacionais, afasta investidores e, também, a possibilidade de liderança regional. Esses são os aspectos principais resultantes de situações problemáticas internas. No caso do Brasil, esse país demonstra capacidade de superar as adversidades. Essa resiliência é positiva para a imagem do Brasil no exterior, esse comportamento contribui para a reorganização das regras que regulamentam as relações internacionais, e que configuram a Nova Ordem Internacional. Nesse âmbito, há inovação no modo de combater essas novas ameaças, isto é, recursos de poder que não estão restritos aos meios militares, mas que são ampliados por intermédio de uma atuação presente e propositiva nos fóruns apropriados.
O ineditismo da operação da ocupação do Complexo do Alemão pela polícia carioca contribuiu para reafirmar a luta do Brasil para dissuadir e para contra-atacar o tráfico de drogas. A violência decorrente desse crime, inclusive, foi comparada e recebeu qualificação pior por jornais internacionais que a violência proveniente dos conflitos civis na Faixa de Gaza, no Oriente Médio. Conter o tráfico de drogas requer uma ação integrada dos serviços de inteligência de vários países. Criminosos situados na América Latina direcionam o tráfico para os Estados Unidos da América e para a Europa Ocidental, que redistribui para outros lugares do mundo. Nesse contexto, o tráfico faz parte da realidade contemporânea e deve ser combatido em escala mundial. O Brasil demonstrou força para conter o avança dessa nova ameaça no seu território, e assim afastou as incertezas políticas que poderiam interferir, negativamente, nas relações internacionais do país.
Helanny Torres

Um comentário:
Olá João, seja bem vindo!
Gostei desse chamar ''amante das letras'', sou bem isso mesmo. Visitei seu blog e gostei muito, espero em breve ter a oportunidade de ler um livro seu. Apesar de morar em Brasília, sou muito interessada no que se produz hoje na Amazônia e, especialmente, no Pará. Se vc for lançar algum livro, e eu estiver na terrinha, farei o possível p/ ir prestigiá-lo e dessa forma conhecer o seu trabalho. Um forte abraço querido!
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