O beijo reanimado de Eros a Psique - Antonio Canova, 1793
Amor, desejo, alma. Eros e Psique. Para além da onomástica tradicional, o momento suspenso e eterno que precede o beijo do amado à sua amada revela o esperado sopro de vida, o sentimento que não pode mais ser contido, que transita para o emblemático despertar de um sono letárgico, sem sonhos, para uma existência quimérica, mitológica.
A mortal, ora apática absoluta, ora impulsiva demasiado, descobre que mais que sorte, possui misteriosa ajuda quando enfrenta os perigos mais caudais e turbulentos. Uma presença que a acompanha, mesmo estando ela longe de enxergar, consegue senti-la. Fascínio inebriante mútuo. A alma não morre, reanimada pelo beijo, é imortalizada, e assim Psique e Eros conseguem permissão divina para gozar delírios de intensa felicidade.
Por trás dos perigos que Psique enfrentou estava Afrodite, mãe de Eros. Quando Afrodite pensava que tinha tudo sobre controle, que tinha o mais perfeito domínio do rumo que estava dando para a situação, vieram o destino, as circunstâncias, e mudaram tudo de uma hora para outra, pois quando é para ser, não há nada que possa mudar, nem mesmo o tempo, a distância, as intenções e convicções. O amor converge, cedo ou tarde. Não adianta fugir ou mentir.
Afrodite, crente que o filho seria obediente e seguiria suas ordens, encontrou-se afrontada, porque apesar de Eros não querer romper relações com a sua mãe, o amor que sentia por Psique era mais forte que tudo, ele não podia controlar esse sentir. Estava ele mesmo confinado e liberto por essa explosão que vinha e voltava. Ele não podia mais negar, e apesar de estar nas sombras, continuava iluminando os passos da sua amada.


Um comentário:
Segundo a mitologia Grega, Afrodite, a Deusa da beleza sendo filha de Zeus/ Júpiter, pai dos deuses, gera Eros, Deus das paixões. Mas o amor do deus pai, gera Philos, o amor fraterno, incondicional. Porém, para alguns de seus filhos, ele manifesta Ághape, o amor que devora, que te invade, te revela. É o amor divino manifestado, ou manifestação do espírito santo (mãe divina, binah, Isis, Maria, Stela mares, Shivs/shakt) É o Sanctun Sanctorum dos Alquimistas.
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