Quando estava, ainda na universidade, estudando a prova do Instituto Rio Branco me deparei com um trecho de um texto de Benedito Nunes. Esse nome me
soava familiar e distante. Familiar por não ser estranho, alguém de quem eu já
havia ouvido falar. Distante porque não conhecia sua obra. Quem era esse
paraense, meu conterrâneo, que aparecia ao lado de grandes pensadores
brasileiros?
Algum tempo depois, foi realizado, na Unama, um Congresso em homenagem
a Benedito. Fiquei muito feliz de saber que poderia conhecer de perto o trabalho
dele e também de que a universidade em que eu estudava estava reconhecendo o professor
como Doutor Honoris Causa. Como formanda, naquele período, eu não era mais
repórter da TV Universitária, senão gostaria muito de tê-lo entrevistado.
Benedito tinha uma simplicidade impressionante, nas poucas palavras
que troquei com ele, após sua conferência magna no Congresso, isso ficou bem
claro – ah, eu e minha tietagem tímida. Mesmo não tendo oportunidade de ter convivido com o professor, conheci
um pouco mais da sua obra após ter me mudado para Brasília, onde ele tem um
grande prestígio. Nos livros ou até mesmo nos textos que encontrava na internet, de Bené, a profundidade do seu pensamento é enorme.
Um dos textos que mais me marcaram foi Filosofia da Vida em Dilthey,
segundo Benedito Nunes (Hermenêutica e Poesia). Fui procurar respostas e
compreensão para a vida anímica, termo que encontrei em Steppenwolf, de Hermann
Hesse, para mim, Benedito foi quem soube melhor explicar sobre isso.
Machado de Assis, João Cabral de Melo Neto, Carlos Drummond de Andrade,
Clarice Lispector, Max Martins, Dalcídio Jurandir, Mário Faustino e tantos
outros escritores tiveram seus trabalhos estudados por Benedito. A leitura de
Bené me encantou desde o começo, o que mais admiro na sua obra é que ele não se
deixa limitar pelas fronteiras acadêmicas, essas relações são mais que
interdisciplinares, são híbridas, especialmente quando se encontram filosofia e
literatura.
Neste ano, na XVII Feira Pan-Amazônica do Livro, na última terça-feira
(30/04), foi realizado o seminário Benedito Nunes: Filosofia e Crítica – já até
me considero parte da freguesia de Bené, digamos da nova geração. Para minha
surpresa, só que não, Benedito está sendo estudado no âmbito Amazônia e Pensamento
Social pela professora Maria Stella Pessoa. Não deixa de ser mais um
reconhecimento da magnitude de Bené, que inclusive está sendo estudado em
proximidade com os estudos do célebre Eidorfe Moreira.
Bené nos deixou em 2011, mas ele permanece vivo na sua obra. Benedito
é esse paraense que informa, forma, de um maneira muito peculiar e sagaz. É
quem explica, é quem vai além, é quem diz, é quem traduz esse universo da
literatura, e é muito mais que isso. O mais fascinante é que seu propósito não
é dar a última palavra, mas aguçar, estimular, instigar o leitor a pensar. ‘‘O
indizível é o que só pode ser mostrado’’.
Belém, 1° de maio de 2013


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