segunda-feira, 15 de setembro de 2014

As Oliveiras da Palestina


Uma revolução por ano pelo Fatah
Ayed pai, Ayed filho
Prisioneiros e fugitivos
Um discurso pede paz para o Hamas
Ativistas israelenses participam das manifestações
Resistência pacífica
Judeus de ambos os lados, do lado de lá e do lado de cá
Do lado de lá, soldados
Do lado de cá, amigos
Palavra de ordem: desobedeça!
 

Um vilarejo personificado pelo protesto sem violência
Para derrubar muros que ainda não foram construídos
O verde fora arrancado para dar lugar à barreira
Uma corajosa mulher, com lenço na cabeça, se joga no buraco para conter o avanço do trator
O homem, no volante, recua
Os olhos da bela mulher refletiam a oliva emoção de contribuir com o movimento
Mais que isso, ela sabia que em meio aquela terra remexida e pedras atiradas houve um desvio do caminho do destino para deixar aquela oliveira viva
Entre a 1° Intifada e outras, há o peculiar arame enfarpado (from Chicago) e as labaredas de esperança de quem passou o entardecer ao redor da fogueira contra a barreira de separação

A barreira foi transposta
Transmutada
Budrus pode agora visitar seu cemitério
Mulheres de Budrus podem andar entre as oliveiras
Os olhos femininos de Budrus me lembram os olhos de Persepolis
Persepolis ultrapassou as fronteiras iranianas
Terras Divinas, bíblicas
Fronteiras dilatadas
Barreiras difusas, nada confusas
Delimitas por sinal, por esquadros, e por cimento
Era como se o azeite, ainda puro, transcendente, tivesse ungido aquelas terras pelas folhas das oliveiras, pelas gotas de orvalho que choraram súplicas sobre a terra durante todo o alvorecer
E pelos olhos misericordiosos, escaldantes e mercúricos da bravura da mulher de Budrus, do mover-se de honra paralizante da mulher palestina, da Mulher Oliveira.


Por Helanny Ferreira
Ananindeua, 11 de novembro de 2013

Referências
Brudrus. Documentário. 2009.

Persepolis. Filme. 2007.

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