sábado, 20 de dezembro de 2014

Em 2015 quero

               Ikebana Sanguestu 
      1.        Ouvir mais a minha intuição, especialmente aquela intuição literária, que aguça os sentidos, para que eu escreva minhas descobertas, sentimentos e percepções. Às vezes, por mais que eu ache interessante escrever sobre um assunto, acabo deixando para um segundo momento, e priorizando outras atividades, e a ideia inicial não é mais a mesma. É como se algo tivesse se perdido, o feeling instantâneo ou o brainstorming;

2.       Ser mais flexível em relação a leituras e músicas que saiam do circuito tradicional que eu gosto, estar mais aberta para receber novos autores e músicos que não fazem parte do que eu aprecio logo de cara, sem olhar com desconfiança. E parar com a chatice de rotular algumas obras de caráter duvidoso, ops;

3.       Percorrer o caminho da flor. Fazer aulas de Ikebana Sanguetsu, arte floral que objetiva vivificar a flor ao evidenciar sua missão de alegrar a vida pela beleza;

4.       Retomar as aulas de japonês, e depois conhecer um pouco mais da cultura japonesa, que eu amo, taiko e cerimônia do chá;

5.       Parar de tentar centralizar minhas atividades em torno de um único objetivo. Relaxar mais. Saber que é possível conciliar qualquer coisa, estudo, trabalho, lazer e objetivos pessoais. E que a realização de um sonho se faz degrau por degrau. Ter humildade para reconhecer onde eu preciso acertar.

6.       Ser uma multiplicadora da agricultura natural, e cuidar com mais carinho da minha horta caseira. Hoje já cuido de cebolinha, couve, couve manteiga, chicória, e espinafre. Estou ansiosa para plantar morango e tomate cereja, que eu amo muito. Têm também flores, orquídea, rosa, crisântemo, margarida.  Eu não moro em sítio, mas é possível cultivar um vaso de coentro ou pimentão em casa ou apartamento. As plantinhas precisam de amor e crescerão fortes e saudáveis;

7.       Fazer algumas coisas que fiz na listinha de 2013, entre elas algumas experiências gastronômicas, o chai tea e fazer macarons e presentear alguém especial.  Amo muito cozinhar e aprender coisas novas na cozinha, misturar sabores, aromas, combinar tradições. Bem, tenho uma enorme vontade de fazer um curso de barista, amo muito café, mas isso não é algo que entrará para a lista de 2015, quem sabe daqui a alguns anos;

8.       Ouvir mais. Por ser falante, às vezes falo pelos cotovelos, de tanto que gosto de interagir com as pessoas. Como sempre fui muito decidida, o desafio para mim é ouvir mais familiares e amigos, porque às vezes eles enxergam alguma coisa que você não está vendo;

9.       Ser útil. Expressar minha gratidão não só às pessoas que amo e as pessoas próximas de mim, mas sim a comunidade em que moro, seja onde for. Dedicar-me semanalmente ou pelo menos quinzenalmente num trabalho voluntário, para que não seja apenas algo esporádico e sim regular. E já tenho por onde começar, espero sinceramente que dê certo, e que eu comece em 2015 mesmo. Afinal é possível conciliar atividades e sair do egoísmo.

10.   Dançar, dançar, dançar, mesmo que ninguém esteja olhando, rs

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Paz bélica, bélica paz



Guerra
Os aviões abatidos
são cruzes caindo do céu.
Mário Quintana


Puxaram os gatilhos. Os filhos desta cidade, Belém, alvos de tiros secos, são cruzes tombando no chão. Cobertos por lençóis manchados de sangue, por lágrimas e por medo, murmuram silenciosamente à população, até quando nossas famílias chorarão em busca de exterminar a impunidade?
A decisão das armas e o furor dos executores anônimos – bellatrix irancudia – arrebataram todo um povo. Bandeiras não tremulam mais, o vento não sopra, e nem poderia, foi calado na fonte da vida. Soldados, justiceiros, juízes? Não. Fratricidas, covardes, Napoleões? Numerosos adjetivos, nenhum deles na qualidade de Deus.
O ser e o tempo, o ser e o nada, o ser social, o ser criação da natureza, o ser irmão, o ser cidadão. Cidadania, eu quase nem sei mais o que é isso, esse conceito ficou perdido no meio daquelas balas nada perdidas, precisamente certeiras. O ‘‘novo cidadão’’ não cabe aqui. 
Aqui cabem os soluços, os calmantes, a dor, as orações sinceras, o amor fraternal, e principalmente a Paz sem as armas, a paz sem a força, e quem sabe substituir as armas pelas flores, que belo seria a paz com flores, a paz pela paz – e o uso da imaginação para realizar esse sonho e materializar esse sentimento. Não quero vinganças, quero um cessar- fogo, de ambos os lados, de todos os lados.
Quero poder andar pelas ruas sem me assustar com o barulho de uma moto, ou com a moda de homens usando capuz. Quero ir e vir. Mais que isso, quero que todos tenham o direito a ter da vida mais que um sopro, mais que uma moeda de troca. Quero vivificar esperança. E quero muito acreditar que não estou querendo demais. Tributos de paz e de flores cabem aqui.

 

Helanny Torres Ferreira
05 de novembro de 2014

 

Mais em:

País alerta


 

Sobre as notícias que li nos últimos dias sobre o ato contra Dilma e o golpe, ops, digo, a intervenção militar, apenas registro aqui essa entrevista genial:

Lincoln Gordon: As pessoas que discutem nosso legado negativo na América Latina normalmente citam a Guatemala, em 1954, a República Dominicana, em 1965, e a Baía dos Porcos, em 1961. Muito poucos colocam na lista o Brasil, em 1964.

Entrevistador: Pelo menos não na sua frente.

(entrevista de 1969 - Paige E. Mulhollan http://www.lbjlib.utexas.edu/johnson/search/Oral_History/oh_search.html)

#rashomon
#forapassadosangrento
#vivademocracia

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

As Oliveiras da Palestina


Uma revolução por ano pelo Fatah
Ayed pai, Ayed filho
Prisioneiros e fugitivos
Um discurso pede paz para o Hamas
Ativistas israelenses participam das manifestações
Resistência pacífica
Judeus de ambos os lados, do lado de lá e do lado de cá
Do lado de lá, soldados
Do lado de cá, amigos
Palavra de ordem: desobedeça!
 

Um vilarejo personificado pelo protesto sem violência
Para derrubar muros que ainda não foram construídos
O verde fora arrancado para dar lugar à barreira
Uma corajosa mulher, com lenço na cabeça, se joga no buraco para conter o avanço do trator
O homem, no volante, recua
Os olhos da bela mulher refletiam a oliva emoção de contribuir com o movimento
Mais que isso, ela sabia que em meio aquela terra remexida e pedras atiradas houve um desvio do caminho do destino para deixar aquela oliveira viva
Entre a 1° Intifada e outras, há o peculiar arame enfarpado (from Chicago) e as labaredas de esperança de quem passou o entardecer ao redor da fogueira contra a barreira de separação

A barreira foi transposta
Transmutada
Budrus pode agora visitar seu cemitério
Mulheres de Budrus podem andar entre as oliveiras
Os olhos femininos de Budrus me lembram os olhos de Persepolis
Persepolis ultrapassou as fronteiras iranianas
Terras Divinas, bíblicas
Fronteiras dilatadas
Barreiras difusas, nada confusas
Delimitas por sinal, por esquadros, e por cimento
Era como se o azeite, ainda puro, transcendente, tivesse ungido aquelas terras pelas folhas das oliveiras, pelas gotas de orvalho que choraram súplicas sobre a terra durante todo o alvorecer
E pelos olhos misericordiosos, escaldantes e mercúricos da bravura da mulher de Budrus, do mover-se de honra paralizante da mulher palestina, da Mulher Oliveira.


Por Helanny Ferreira
Ananindeua, 11 de novembro de 2013

Referências
Brudrus. Documentário. 2009.

Persepolis. Filme. 2007.