domingo, 28 de março de 2010

Espero por ti - Cartola

Mesmo sem saber
Se viras um dia
Eu espero por ti
Confiante e só aqui
Eu espero por ti
Pra te dar o amor
Que existe em mim
E encontrar a paz
Por fim
Não sei como foi
Mas aconteceu
Este imenso amor
Só sei que não vivo
Longe dos olhos
Sem sentir teu calor
E enquanto eu viver
Eu hei de viver
A te esperar
Mesmo sem saber

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Profissão: Jornalista

A formação acadêmica de jornalistas repercutiu demasiadamente na mídia brasileira quando o então ministro do STF Gilmar Mendes decretou a extinção da obrigatoriedade do diploma de jornalismo para o exercício da profissão.

Trata-se a um só tempo de uma reflexão acerca do ensino superior de jornalismo e da qualidade da imprensa no país. O título de bacharel em jornalismo é obtido após 4 anos de graduação e com a apresentação de um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC).

Em janeiro deste ano foi a minha formatura, enfim jornalista por formação, momento de muita felicidade para mim e minha família. Disponibilizo neste espaço o meu TCC, o qual foi construído com muita dedicação. O trabalho foi feito em parceria com Daniela Sodré.


Tema:
COMUNICAÇÃO, TECNOLOGIA E MEDIAÇÕES CULTURAIS: um estudo de recepção das mensagens da EMBRAPA, veiculadas no Jornal do Trópico Úmido, junto aos jovens agricultores, enquanto culturas populares

Resumo
A visibilidade de temas científicos e ambientais na mídia impressa com foco na aplicabilidade dos estudos tecnológicos: uma análise sobre a divulgação das tecnologias geradas pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) no Jornal do Trópico Úmido, junto à juventude rural do Pará. Metodologicamente, a pesquisa segue as diretrizes de um estudo de caso que tem como público–alvo os jovens agricultores


FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Nos anos oitenta, com a disseminação dos trabalhos do teórico italiano Antônio Gramsci, desenvolvidos sobre hegemonia, especialmente aqueles relacionados à cultura, Canclini e Martin-Barbero procuraram atualizar esses estudos no âmbito da comunicação. Nesse sentido, a comunicação passa a ser compreendida como um fenômeno indissociado da cultura e dentro dessa ótica, o conceito de dominação se desloca para o de hegemonia. Na concepção de Gramsci, hegemonia deve ser entendida como “a capacidade de unificar através da ideologia e de conservar unido um bloco social que não é hegemônico, mas sim marcado por profundas contradições de classe” (GRUPPI, 1978, p.91 e 92). Daí, o próprio Gramsci ressaltar que “uma classe é hegemônica até o momento em que através da sua ação política, ideológica e cultural consegue manter articulado um grupo de forças heterogêneas” (Ibidem).

Ressalta-se que a contribuição mais importante para o tema da Cultura na sociedade de classe, dentro do paradigma marxista, encontra-se na obra de Antônio Gramsci, fundamentalmente porque se apóia no binômio: cultura hegemônica - cultura subalterna. Gramsci é o primeiro marxista a examinar a ideologia das classes populares como conhecimento por elas acumulado e as suas maneiras de ocupar-se com a vida.

O conceito de popular adotado pelos teóricos latino-americanos, implica na necessidade de incluir não só aquilo que as classes populares produzem culturalmente, mas também o que consomem e como se apropriam dos bens simbólicos. Implica na exigência de pensar o popular na cultura não como algo enclausurado no passado, mas articulado à modernidade, aos cruzamentos e complexidades do urbano e do massivo e, sobretudo, num olhar/ posicionamento do investigador livre de preconceitos e maniqueísmo que, de antemão, excluem e adjetivam as produções e práticas dos populares, invalidando-as ou sacralizando-as.

O popular ao qual se refere neste estudo não pode ser associado à noção que o vincula ao popular puro; aquele que é imediatamente identificável pela nitidez de suas características; ou aquela noção de senso comum que o caracteriza pela vulgaridade - o popular inculto.

Canclini considera o termo mais adequado - Culturas Populares - o uso no plural como importante porque cada grupo dá resposta diferente às suas necessidades vitais. As culturas populares existem porque há toda uma reprodução desigual da sociedade que gera uma apropriação desigual dos bens econômicos e culturais por parte de diferentes classes e grupos na produção e no consumo, ou, ainda, devido à elaboração própria de sua condição de vida e uma satisfação específica de suas necessidades nos setores excluídos da participação plena no produto social. Ressalta, ainda, o autor que as Culturas Populares existem porque há uma interação conflitiva entre as classes populares com as hegemônicas pela apropriação dos bens. (CANCLINI, op. cit. p. 49).

Analisando a interação da comunicação do jovem rural, caracterizado como “leitor do JTU, à luz da teoria de Canclini que trata da relação das culturas hegemônicas e as culturas populares, no sentido de que as culturas populares reconvertem os seus códigos para “participar” da cultura hegemônica”. Essa reconversão, entretanto não se dá de forma automática e nem linear. A reconversão das culturas populares se dá num processo de renegociação que sofre a influência das mediações das culturas populares.

Método
Para a execução deste trabalho, realizou-se a pesquisa exploratória com base no procedimento técnico do estudo de caso. Procurou-se, especificamente compreender os jovens agricultores como um público que emerge com uma cultura indissociada da comunicação como um processo, os jovens passam a ser vistos como uma cultura popular, ou uma cultura, cujo sujeito é o próprio receptor; aquele que dá sentido às mensagens recepcionadas na recepção; onde o uso passa a ser visto no seu cotidiano, ou mais especificamente, o que diz Canclini, nas suas pluralidades, heterogeneidade, ou culturas populares.

Intencionalmente, foi aproveitada a realização do I Encontro da Juventude Rural do Nordeste Paraense, realizado em Salinas, no período de 28 a 30 de agosto de 2009. O qual teve como tema: Jovens Rurais lutando por seus direitos. O evento teve como sede, o município de Salinópolis no Estado do Pará, tendo como base de apoio a Comunidade Alto Pindorama onde foi congregada a participação de 250 jovens camponeses.

É interessante, lembrar que os pontos de discussão no Encontro, basicamente, todos, foram pertinentes aos objetivos deste trabalho, como por exemplo, a visão que se tem hoje do público rural; a sucessão rural que foi outro ponto ressaltado, pois é preciso garantir condições para que o jovem permaneça no campo, valorize sua identidade e dê continuidade a sua produção agrícola, o que parece bastante relevante com o objetivo deste trabalho.

Segundo dados do MDA, existem hoje no Brasil 4,8 milhões de estabelecimentos rurais, 85% são familiares (4,1 milhão) e ocupam 30,5% da área agrícola total, os quais são responsáveis por 38% da renda bruta total. Assim, 40% da produção agrícola total são oriundos da agricultura familiar, sendo que 60% dos alimentos consumidos pela população brasileira vêm das pequenas propriedades.

Portanto, a partir desta perspectiva observa-se a necessidade de incorporar e dinamizar novas tecnologias para os agricultores familiares, pois se trata de uma questão de segurança alimentar e garantir o acesso as novas tecnologias é um processo dinâmico que está ligado também a EMBRAPA, enquanto empresa pública e pioneira na produção de conhecimento. Para isso, é preciso repensar a forma de distribuir informação e interagir com os jovens camponeses. Os desafios são muitos, mas a juventude do meio rural está dando um grande passo ao se propor a pautar tais conjunturas e estar aberta para concretizar novos formatos de sua interação com o meio.

Público-alvo
O público-alvo delimitado para esta pesquisa são jovens camponeses entre 16 e 32 anos. Do total de 250 jovens participantes do Encontro, foram entrevistados 80 jovens agricultores.

Jovens agricultores enquanto culturas populares

Pensando a juventude camponesa enquanto culturas populares, retoma-se as idéias Canclinianas que apontam a necessidade de se reconhecer a autonomia das culturas, ou seja, sua construção cotidiana de modo de vida. Para o autor, é na esfera do cotidiano que o modo de vida pode ser concretamente observado. Portanto, o cotidiano assume um papel relevante quando se busca compreender as práticas culturais dos segmentos populares, pois é nele que o sujeito compara e viabiliza, ou não, as propostas hegemônicas, sustentando os seus hábitos ou costumes e o de seus grupos aos quais essas culturas populares pertencem. (HELLER, Agnes, 1989, apud SAMPAIO, C. A. 1997).

As hipóteses, análises e discussões, assim como o trabalho na íntegra, podem ser conferidos aqui.


Agradecimentos
A minha orientadora, Dra. Cenira Sampaio (Doutora em Agroecossistemas Sustentáveis da Amazônia), pelo exemplo de profissional, pelo acolhimento inicial na UNAMA em realizar esta pesquisa, pela contribuição, sugestões, críticas, apoio e orientações durante todo o desenvolvimento deste trabalho;

Ao Mestre Francisco do Nascimento Felix, pelo aprendizado de levantamentos estatísticos imprescindíveis para o desenvolvimento do trabalho;

Aos jovens agricultores que contribuíram solicitamente em participar da pesquisa. E a atenção dada a este trabalho, no entendimento de que o direito à informação deve ser um bem de todos e que me ensinaram que a luta por direitos no campo começa pela união e organização dos trabalhadores rurais;

A minha parceira de estudos nesta conclusão de curso, Daniela Sodré, pela compreensão, dedicação e esforço para realizar este TCC;

Todas as pessoas que de alguma forma colaboraram para a execução deste trabalho, mesmo que de forma indireta.


terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Desejo onírico


Corpos que se encontram sem nenhum compromisso. Beijos que se perdem na primeira esquina. Mãos dadas que não resistem a outros olhares. Quase tudo pode, afinal o que não pode? Solidão por solidão, o pior é a solidão a dois. Eu estaria mentindo pra mim mesma se me permitisse, de repente, parar de dizer não para todos os outros. Mas te peço, não demore muito. É você quem eu quero e você sabe disso. Por saber, por vezes você mesmo se afasta.

Nem fugir, nem confrontar. Desconfio que um conheça a natureza do outro, penso que há uma singular identidade entre elas. Sei que você sabe guardar segredo e guarda tão bem que, de vez em quando, me esqueço que você sabe o quanto eu te desejo. Eu te espero, espero mais que um beijo roubado, espero que a nossa amizade seja sempre doce e por ter medo que ela se perca, não confesso o que você já sabe.

Amigo, delicio-me com teus versos, mas não ria destas linhas tão adolescentes e amadoras. É apenas um bilhete (virtual). Sei que julgas algumas das minhas atitudes, mas essas loucuras são tão pequenas se comparadas a paixão, a qual foi colhida assim de surpresa.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

5° Concurso Tim Lopes

Um crime hediondo. É o mínimo que se pode descrever sobre a exploração sexual de crianças e adolescentes. Infelizmente a violação não é recente, mas a pauta nas agendas jornalísticas sim. Somente após a Convenção dos Direitos da Criança (ONU 1989) é que o tema adquiriu maior visibilidade, para combatê-lo é preciso desmascará-lo. No entanto, faz-se necessário que a cobertura jornalística informe sem sensacionalismos um assunto tão delicado.

O Concurso Tim Lopes é uma iniciativa de forte alerta social. Em sua quinta edição, o tema é "Imprensa e sociedade aliadas no enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes". O projeto é uma homenagem ao jornalista Tim Lopes, que foi assassinado por traficantes de drogas enquanto investigava casos de exploração sexual de adolescentes, em uma favela do Rio de Janeiro.

Os projetos selecionados vão ganhar uma bolsa de mais de R$ 10 mil. Os jornalistas premiados receberão mais R$ 3 mil após a publicação das suas reportagens. As inscrições estão abertas até o dia 29 de janeiro. Para consultar o regulamento, clique aqui.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Prazer em ler

Simplesmente porque eu não resisto aos fascínios de livros inteligentes. Livros que cativam, que nos acompanham em muitas jornadas, que como uma música marcam um momento de nossas vidas. Faz algum tempo que não leio um desses best-seller que estão em foco na mídia, muitos desses livros populares são interessantes, mas tenho uma lista enorme de livros que ainda preciso ler, e apenas para deixar claro, não tenho nenhuma aversão a essa categoria que é considerada a "literatura de massa". Às vezes passo uma manhã inteira numa livraria para escolher aquela leitura que me proporcione uma viajem em terras ainda desconhecidas, não é uma escolha nada fácil, porque dá vontade de levar todos pra casa, mas ocorre vez por outra aquele encanto com um livro em particular, então é irresistível, a companhia torna-se mais que atraente, ela me envolve em seus braços, meus olhos brilham. Na última semana, escolhi três livros para me acompanhar neste período de carnaval e mais um fascículo. São leituras enriquecedoras, eu recomendo.


O CASTELO NA FLORESTA. Norman Mailer
(Editora Companhia Das Letras)

O autor, mestre do New Jornalism ou Jornalismo literário, nos oferece uma escrita primorosa sobre a infância de Hitler, criador do nazismo. É uma aventura que se revela na investigação excitante dos fatos que venham a elucidar as causas de sua crueldade. É sinistro e nos faz refletir sobre a constituição da personalidade diabólica daquele que vem a se tornar o maior exterminador da raça humana. Logo na capa do livro há um choque, a figura personificada do mal ainda criança, sem o famoso bigode, com o carimbo da suástica em seu retrato. É um livro que nos faz prender a respiração, o qual mantém atenta a indignação de lutar para que nunca mais a história se repita. Mailer é um escritor norte-americano, ganhou duas vezes o Prêmio Pulitzer e uma vez o National Book Award.


EUCLIDIANA. Ensaios sobre Euclides da Cunha. Walnice Nogueira Galvão
(Editora Companhia Das Letras)

Textos magníficos sobre a vida, carreira e composição literária de um dos maiores escritores brasileiros. Um convite a um discurso eloquente e a uma retórica impecável, traços que revelam uma identidade pouco conhecida e explorada sobre Euclides. A autora nos brinda com um extraordinário entendimento sobre a obra genial do escritor, sociólogo, militar, engenheiro e jornalista. O livro é o que podemos chamar de uma "vereda preciosa", sem exageros. Galvão publicou trinta livros, entre eles Mínima Mímica: Ensaios sobre Guimarães Rosa e mais doze livros sobre Euclides da Cunha e a Guerra de Canudos.


MÁRIO QUINTANA. Nova Antologia Poética.
(Editora Globo)

Amor à primeira vista. Um encantamento que transcende gerações. Quintana é essencial e necessário. Um presente para saborear a doçura da vida de olhos abertos. O humor e o lirismo é a arte deste poeta que constrói e desconstrói versos com naturalidade e leveza. Bilhete é um poema que me embala com carinho, o trecho "...a vida é breve e o amor mais breve ainda" simboliza essa expectativa em não perder tempo, em viver logo a vida e não deixá-la para depois. Pois que fiquem surdos os passarinhos. Amado, eu também já não me importo que me quebrem os telhados, se há querer e se há amor que seja sem mais devagarinho. O livro é mesmo um deleite.


CELSO FURTADO. Coleções Caros Amigos. Fascículo 4.
(Editora Casa Amarela)

Porque não só de versos vive o homem. Apesar de não ser um poeta, Celso Furtado é uma inspiração. É o economista brasileiro mais lido no mundo. Graduado em direito na década de 40 (não havia cursos de economia no período), trabalhou como jornalista no Correio da Manhã antes de ser aprovado em concurso público. Apesar de resumido, o fascículo descreve com qualidade a trajetória deste pensador social. Vale à pena conferir.

E por enquanto, neste período antes de começarem as aulas na Faculdade de Economia, preciso muito estudar matemática econômica, isso para não falar sobre as monstruosas leituras obrigatórias. Neste pouco tempo de curso uma das coisas que aprendi: não são os números que determinam o problema econômico, mas o problema econômico e social que determinam os números. Isso para não dizer que não falei de flores. Sem mais trocadilhos.