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quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Porquinho-da-índia



Quando eu tinha seis anos 
Ganhei um porquinho-da-índia.
Que dor de coração me dava
Porque o bichinho só queria estar debaixo do fogão!
Levava ele pra sala
Pra os lugares mais bonitos mais limpinhos
Ele não gostava:
Queria era estar debaixo do fogão.
Não fazia caso nenhum das minhas ternurinhas...

- O meu porquinho-da-índia foi minha primeira namorada.


Manuel Bandeira
in Libertinagem, 1930

P.S.: Especialmente, para Vivian Finger Krause, ou, simplesmente, Vivi

sábado, 7 de janeiro de 2012

Manuel Bandeira musicado

          
          O ritmo não dissolveu a si mesmo¹. Ele se eternizou por meio da música. O caminho percorrido pode ser traduzido na qualidade de um itinerário para a poética manuelina². O invisível cedeu lugar ao que antes era tido como o indizível. Dessa forma, o chamado São João Batista da Semana de 1922 - Manuel Bandeira - foi posto e composto em clave. O malungo³ Manuel não foi disco de ouro, mas muitos cantam seus versos.

          Os poemas musicados (a lista não está completa) do observador apaixonado dos sentimentos do povo são:
  1. Berimbau (Ovalle, Mignone);
  2. Trem de Ferro (Viera Brandão);
  3. Cantiga (Camargo Guarnieri; Lorenzo Fernandez);
  4. Azulão (Ovalle, Camargo Guarnieri, Gnattali);
  5. Dona Janaína (Mignone);
  6. Irene do Céu (Camargo Guarnieri);
  7. Na rua do sabão, Macumba de pai Zusé, Boca de Forno (Siqueira);
  8. O menino doente (Mignone);
  9. Dentro da noite (Mignone, Helza Cameu)
          Texto escrito para melodias já existentes:
  1. Modinha de Villa-Lobos, Canções de cordialidade (sob o pseudônimo Manduca Piá);
  2. Uma valsa romântica, Canção (Radamés Gnattali)


¹ Alusão ao livro O ritmo dissoluto.
² Referência à obra Itinerário de Pasárgada
³ Africanismo: companheiro; camarada